Tocantins tem aumento no número de trabalhadores sem carteira assinada, diz IBGE

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que mais de 100 mil trabalhadores do Tocantins não tem carteira assinada. São 20 mil pessoas a mais que o registrado em 2018.

Desempregada há alguns anos a Luzia abriu um brechó. Ela vendia peças usadas que comprava ou recebia em doações, mas com o tempo viu que podia crescer e comprou uma máquina de costura e foi ganhando a vida.

“Você traz a roupa que quer consertar e traz as roupas quer doar, em troca do meu trabalho, que aí você ganha e eu também saio ganhando. Eu acho que todo mundo tem seu potencial, todo mundo tem o dom de fazer alguma coisa”, disse a autônoma Luzia Cardoso.

Quando o trabalho como costureira deixou de ser suficiente, ela colocou a mente empreendedora para funcionar e transformou a própria casa em um hostel com seis quartos. É uma espécie de pousada compartilhada, que garante uma renda a mais no fim do mês. “Emprego de carteira assinada, registrado, está muito difícil”, reclamou.

O levantamento do IBGE mostrou que o número de tocantinenses que têm uma ocupação aumentou menos de um ponto percentual em relação ao ano passado. São 640 mil pessoas com pelo menos uma hora de trabalho remunerado por semana.

A quantidade de trabalhadores sem carteira assinada do setor privado também cresceu, são 105 mil. Foram 20 mil a mais do que no ano passado. Além disso, a renda média mensal no Tocantins caiu de R$ 1,9 mil em 2018 para R$1,880 neste ano.

“As taxas tem apresentado queda. Significa que as pessoas estão ocupando-se mais. Entretanto, os dados também revelam que essa ocupação tem sido em menos horas. Ou seja, a subutilização da mão de obra também tem aumentado e isso reflete no rendimento médio das pessoas, faz com que o rendimento médio no Tocantins caia”, explica o supervisor de pesquisas do IBGE no Tocantins, Paulo Ricardo da Silva Amaral.

A pesquisa leva em consideração os meses de abril, maio e junho desse ano. De um total de mais de 1,2 milhões de pessoas em idade de trabalhar, só pouco mais de 723 mil estão empregados ou em busca de uma colocação no mercado de trabalho. Entre essas pessoas, pelo menos uma, em cada dez, (11,4%) está desempregada.

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